É difícil definir qual a melhor abordagem teórica a ser usada para cada tipo de paciente ou de patologia. Mesmo porque todas elas têm um objetivo em comum, que é o de ajudar a minimizar o sofrimento do paciente, favorecendo seu crescimento pessoal. A diferença está na técnica, isto é, no modo como se alcançarão os objetivos. Desde que o profissional conheça bem sua abordagem, todas elas serão valiosas.

Síntese de Abordagens:

– Gestalt:

A gestalt terapia está voltada para o aqui e agora, entendendo que o aqui e o agora não são sinônimos do presente, mas sim do que está presente no momento. Nesse sentido, ela trabalha com o fenômeno e enfatiza a dimensão vivencial, aquilo que é uma mistura do pensar, agir e sentir.

– Psicanálise (Junguiana, Lacaniana, Freudiana, Rogeriana, Reichiana, etc.):

A terapia, genericamente definida como cura pela palavra, originou-se na psicanálise. Criada no final do século XIX, pelo médico austríaco Sigmund Freud, a psicanálise inaugurou um conceito de cura separado da cura médica tradicional, que trata o sintoma ou uma doença. Para a psicanálise, o processo de cura implica em passar pela singular experiência do inconsciente daquele que se submete ao método freu-diano da associação livre. Para a clínica psicanalítica, a “doença” tem um sentido que está afastado da consciência. Ao pedir ao paciente que fale livremente, sem censura ou crítica, ela permite que a pessoa fale mais do que sabe, pois o que o psicanalista pode ouvir do paciente, “não é apenas o que ele sabe e esconde de outras pessoas (a confissão), mas principalmente o que não sabe (o inconsciente) ”. Assim, a cura dos sintomas virá como consequência do processo analítico e não como seu objetivo.

– Comportamental:

A psicologia comportamental é o método que observa as atitudes físicas e mentais das pessoas e abrange o entendimento das emoções e dos pensamentos humanos. O foco dessa abordagem científica está na compreensão das sensações, percepções, aprendizagens e inteligências que culminam na forma de ser de um indivíduo.

– Cognitivo Comportamental:

As terapias cognitivo comportamentais têm sua singularidade no reconhecimento da importância dos processos cognitivos como influências nos sentimentos e comportamentos que nós apresentamos. Não apenas isso, mas a influência mútua, recíproca, dos sentimentos em relação aos pensamentos e vice-versa e do efeito disso sobre os comportamentos e também dos comportamentos em relação a isso. Ela acredita que nós somos resultados de aprendizagens e a terapia é uma oportunidade de novas aprendizagens.  

– Psicodrama:

A base fundamental do Psicodrama é trabalhar as questões psíquicas na ação. É uma abordagem que enfatiza a saúde no resgate da espontaneidade do ser e na possibilidade dele ser criativo frente às adversidades da vida.  Surgiu do teatro e se constituiu como um corpo científico, sem perder a veia artística e a alegria. Numa terapia psicodramatista, não basta entender, precisa vivenciar, sentir e agir.

– Sistêmica: 

O principal da teoria sistêmica é a mudança de uma visão intra-individual para uma visão relacional, que coloca o indivíduo sempre em contexto. É uma abordagem que percebe o mundo interno do indivíduo como um mundo de relações, pois o indivíduo se constrói a partir dessas.

– Humanista:

A corrente humanista tem sua referência clássica na gestalt-terapia e na terapia centrada na pessoa. Surgida nos anos 50, a psicoterapia centrada na pessoa foi criada pelo psicólogo e pedagogo Carl Rogers e introduziu uma nova perspectiva nas terapias, rejeitando a idéia de que todo ser humano possui uma neurose básica. Além disso, modificou o papel do terapeuta, que não deveria impor suas interpretações. Nela a vivência e o que o sujeito fala de si é o foco principal da terapia. Rogers parte de um princípio de tendência à realização. Segundo ele, todas as pessoas têm capacidade de crescimento e desenvolvimento normais, então não há porque dirigí-las de fora.